quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A mulher sem sorte

A Mulher sem sorte!
Era uma vez uma mulher que vivia perto de um campo, uma mulher que era completamente sem sorte. Nada do que ela fazia dava certo. Muitas vezes ela colhia flores no campo, mas o vento vinha e as levava, outras vezes, a chuva que era demais, que passava tão violenta e carregava as flores. Outras vezes ainda, as flores ficavam sob o campo, mas o sol era tão quente, que as queimava. Ela se lamentava para as pessoas e as pessoas escutavam suas lamentações da vida, da primeira vez com simpatia, depois com certo desconforto e enfim quando a viam mudavam de caminho, ou entravam em suas casas fechando portas e janelas, evitando-a.
Então além de sem sorte, a mulher se tornou chata e muito só. Ela começou a querer achar uma culpada para o que acontecia com ela. Analisando a situação de sua família percebeu que seu pai era um homem de bens nada o faltava, sua mãe, esta tinha sorte por ter se casado com seu pai, e seus irmãos eram muito bem sucedidos, pois então ela chegou à conclusão, de que não era um caso genético, só poderia ser coisa de feiticeiro. E depois de muito pensar resolveu tomar uma atitude e procurar o tal para falar com o feiticeiro, que como ele sabia de tudo, deveria ter uma resposta para o que estava acontecendo com ela.
Arrumou sua trouxinha, algum alimento e partiu em busca do tal feiticeiro. Andou um dia, um mês, um ano e um dia, e pouco antes de entrar numa grande floresta ouviu uma voz:
 -Moça me ajude. Ela então olhou para os lados procurando alguém. Até que se deparou com um lobisomem, magro, quase sem pelos, era pele e osso o infeliz. Dava para contar suas costelas.
Ele falou:
- Há três meses estou nesta situação. Não sei o que está acontecendo comigo. Não tenho forças para me levantar daqui.
A mulher refeita do susto respondeu:
- Você está se queixando a toa... Eu tive azar a vida inteira. O que são três meses? Mas faça como eu. Procure uma resposta. Eu estou indo procurar um tal feiticeiro que só ele pode resolver o meu problema.
- Se eu não tenho forças nem para ir ao rio beber água... Faça este favor para mim. Você está indo vê-lo, pergunte o que está acontecendo comigo. A mulher fez um sinal de insatisfação e disse que estava muito preocupada com seu problema, mas se lembrasse, perguntaria. Virando as costas, continuou seu caminho.
Andou um dia, um mês, um ano e um dia de repente, ao tropeçar numa raiz, ouviu:
- Moça, cuidado. E quando olhou, viu uma folhinha que vinha caindo, caindo; Olhando para cima, viu a árvore com apenas duas folhinhas.
Levantou-se e observando suas raízes desenterradas, seus galhos retorcidos, sua casca soltando-se do tronco, falou:
- Você não se envergonha? Olhe as outras árvores a sua volta e diga se você pode ser chamada de árvore? Conserte sua postura.
A árvore, com uma voz de muita dor, disse:
- Não sei o que está acontecendo comigo. Estou me sentindo tão doente. Há seis meses que minhas folhas estão caindo, e agora, como vês, só restam duas... E, no fim de uma conversa, pediu à mulher que procurasse uma solução com o feiticeiro.
Contrariada, a mulher virou as costas com mais uma insatisfação. Andou um dia, um mês, um ano e um dia e chegou a um vale muito florido, com flores de todas as cores e perfumes. Mas a mulher não reparou nisto. Chegou até uma casa e na frente da casa estava um homem muito vistoso que a convidou para entrar.
Eles conversaram longamente e quando a mulher deu por si já era madrugada. Ela se levantou dizendo que não podia perder tempo e quando já estava saindo ele lhe pediu um favor:
- Você que vai procurar o feiticeiro, podia perguntar uma coisa para mim? É que de vez em quando sinto um vazio no peito, que não tem motivo, nem explicação. Gostaria de saber o que é e o que posso fazer por isto.
A mulher prometeu que perguntaria e virou as costas e andou um dia, um mês, um ano e um dia e chegou por fim ao fim chegou ao tal feiticeiro. Sentou-se e ficou esperando até que ele apareceu. E uma voz medonha, só podia ser a voz do feiticeiro...
- Tenho muitos nomes. Chamam-me também de feiticeiro...
E a mulher contou então toda a sua triste vida. Conversou longamente com a voz medonha do feiticeiro até que se levantou e virando as costas foi saindo, quando ele lhe perguntou:
- Você não está se esquecendo de nada? Não ficou de saber respostas para uma árvore, para um lobisomem e para um jovem?
- Tem razão... E voltou-se para ouvir o que tinha que ser dito.
Depois de um tempinho virou-se e correu... Mais rápido que o vento até que chegou à casa do jovem. Como ele estava em frente à casa, vendo-a passar chamou:
- Ei!!! Você conseguiu encontrar o feiticeiro? Teve as respostas que queria?
- Sim!!! Claro! O Feiticeiro disse que minha sorte está no mundo. Basta ficar alerta para perceber a hora de apanhá-la!
- E quanto a mim, você teve a chance de fazer a minha pergunta?
- Ah! O feiticeiro disse que o que você sente é mal do coração solidão. Assim que encontrar uma companheira vai ser completamente feliz, e mais feliz ainda vai ser a sua companheira.
O jovem então abriu um sorriso e perguntou a mulher se ela queria ser esta companheira.
- Claro que não... Já trouxe a sua resposta... Não posso ficar aqui perdendo tempo com você. Não foi para ficar aqui que fiz toda esta jornada. Adeus!!!
Virando as costas, correu mais rápido do que pensamento, até a floresta onde estava a árvore. Ela nem se lembrava dela.
Mas quando novamente tropeçou em sua raiz, viu caindo uma última folhinha. Ela perguntou se ela tinha uma resposta, a que a mulher respondeu:
- Tenho muita pressa e vou ser breve, pois estou indo em busca de minha sorte, e ela está no mundo.
O feiticeiro disse que você tem embaixo de suas raízes um baú de ferro cheio de moedas de ouro. O ferro deste baú está maltratando suas raízes. Se você cavar e tirar este tesouro daí vai terminar todo o seu sofrimento e você vai poder ser uma árvore saudável novamente.
- Por favor!!! Faça isto por mim!!! Você pode ficar com o tesouro. Ele não serve para mim. Eu só quero de novo minha força e energia. A mulher deu um pulo e falou indignada:
- Você está me achando com cara de quê? Já trouxe a resposta para você. Agora resolva o seu problema. O feiticeiro falou que minha sorte está no mundo e eu não posso perder tempo aqui conversando com você, muito menos sujando minhas mãos na barro.
Virando as costas correu, mais rápido do que a luz atravessou a floresta, e chegou onde estava o lobisomem, mais magro ainda e mais fraco.
A mulher se dirigiu a ele apressadamente e disse:
- O feiticeiro mandou lhe falar que você não está doente. O que você tem é fome. Está a morrer por falta de alimentação, e como não tem forças mais para sair e caçar vai morrer aí mesmo. A não ser, que passe por aqui uma criatura bastante estúpida, e você consiga comê-la.
Nesse momento, os olhos do lobisomem se encheram de um brilho estranho, e reunindo o restante de suas forças, o lobisomem deu um pulo e comeu a mulher "sem sorte".
"SOMOS O QUE FAZEMOS, MAS SOMOS PRINCIPALMENTE
O QUE FAZEMOS PARA MUDAR O QUE SOMOS".
A fabula foi baseada nos acontecimentos que as vezes deixamos passar sem perceber!

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